Bertrand Russell e o preço do livro

Ontem choveu na avenida Paulista, e eu me abriguei em uma banca de revistas. Encontrei um display com livros de bolso da Editora L&PM, e uma barganha irresistível. O livro de Bertrand Russel, com o título “No que acredito”, custava R$ 8,00 — menos que uma revista. É uma edição e tradução recente, de abril de 2007 — um ótimo trabalho. Bertrand Russell é considerado, junto com Jean Paul Sartre, um dos mais influentes filósofos do Século XX. O livro, pequeno e curto como são as obras bem escritas, é muito agradável de ler — e por oito reais o que você tem a perder?

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Doze policiais, um assassinato

Eu fiquei, claro, muito triste em saber que a Srta. J tinha sido lentamente estuprada e assassinada por um brutamontes, um criminoso comum, ao longo de uma hora e cinquenta e cinco minutos; mas quando descobri que seu tormento tinha ocorrido à plena vista de doze policiais a paisana, todos portando armas, e que esses doze policiais ignoraram seus gritos aterrorizados, apenas assistindo o ato cruel até seu triste desfecho, entrei em uma crise pessoal. Entenda, os policiais eram todos amigos, muito próximos a mim, mas agora eu encontrava minha confiança neles abalada até a base. Felizmente consegui conversar com todos mais tarde, e perguntar como eles puderam ficar parados sem fazer nada enquanto poderiam ter salvo a Srta. J com tanta facilidade.

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Querer versus poder, óticas filosóficas

Quem saberá o limite do que podemos fazer? Ninguém. Só há uma forma de realmente saber: tentar. E como tentar sem querer? O antônimo de querer é estar parado, morrer. Por isso diz-se que querer é poder. Pois com querer há poder possível, mas sem querer certamente não. Quem quer pode conseguir ou falhar. Quem não quer não consegue, ponto. Mas alto-lá. De que maneira o querer e o poder são reais frente a simplesmente o jeito como as coisas seguem?

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A probabilidade da Vida

Teólogos e cientistas se intimidam, se alvoroçam e se pavoneiam com uma questão simples. O que é a vida ? Os que se perdem com o significado tentam uma abordagem equivocada, considerar a vida um objeto ou uma propriedade de um objeto. Isso é um beco sem saída. Considere a vida um processo e com isso alcançaremos uma definição simples sobre a qual poderemos concordar. A probabilidade do processo da vida é enorme, dado que eu e você existimos. Mas foi fruto de eventos que sob a ótica de minha experiência, ou da sua, são extremamente improváveis.

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O Papa e o Sultão

Estudei alemão na época da faculdade. Uma das professoras era uma senhora alemã velhinha, frágil, simpática. Um dia ela trouxe uma canção impressa em folhas de papel A4 para que a classe aprendesse a cantar: Papst und Sultan. Ela não costumava fazer isso — aliás, acho que foi a única música que trouxe. Não sei se por intenção dela mas aquela música se fixou em minha memória de tal forma que hoje, uns quinze anos mais tarde, ainda acho fácil lembrar. A tal cantiga, de apenas 6 estrofes, ressoa com sabedoria. Típica do folclore alemão, ela foi escrita por volta do ano de 1800 e brinca com a seguinte pergunta: você queria ser o Papa ou o Sultão ? A tradição é de dois séculos, mas ver a tradução leva dois minutos.

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Carta Aberta ao Kansas School Board

Neste momento em que uma revista semanal de grande circulação discutiu educação religiosa no ensino secundário no Brasil, levantando um pouco a poeira em torno da velha questão do choque escolar entre ciência e religião, mais especificamente entre criacionismo e evolução (ou evolucionismo, como querem os criacionistas), traduzi a seguinte “Open Letter to Kansas School Board“. Ela foi escrita por um jovem americano e enviada ao Kansas School Board, algo como a Secretaria Estadual de Ensino do Estado do Kansas, que estava tornando obrigatório ensinar a “teoria da criação” naquele ilustrado estado do meio oeste. Tanto quanto eu saiba esta é a primeira tradução para o português.

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Como Queria que Você Estivesse Aqui

Qual sua música favorita ? A minha, faz muito tempo, é “Wish You Were Here”, do Pink Floyd. Ela tem uma bela melodia, com aquele dedilhar num violão acústico de doze cordas que parece sair de uma estação de rádio distante para se materializar ao lado do ouvinte. Mas não é a melodia que mais me atrai. “Wish You Were Here” é minha música favorita por causa de sua letra, que, já notei, é em geral ignorada e desperdiçada aqui nesta parte do mundo que fala português. Deixa eu mostrar para você.

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