Técnicas do intelectual revolucionário

Três técnicas podem criar um inovador revolucionário no campo das idéias, mesmo que a partir do equivalente intelectual de um chiuaua correndo atrás do rabo. Escreva e se convença da genialidade que brota. Quem começa se enganando pode depois enganar os outros com sinceridade. Num instante todos ressoarão grandes pensamentos, de inovadores e revolucionários chiuauas. Farão perfeito o dia de um manipulador por trás da cortina, e colocarão o bravo pensador no mapa das idéias: tudo com três técnicas!

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Posters do governo Bush

Faz muito tempo que o mundo não vê um líder mundial mais caricaturável que o Presidente George W. Bush. Ele é uma espécie de caricatura ambulante, ouso dizer. Bush filho assumiu na presidência o papel que Dan Quayle tinha como vice-presidente do Bush pai, ou seja, o papel de bobo. No entanto um bobo na presidência é bem mais perigoso do que um bobo na vice-presidência. Muito mal pode fazer, sem nem mesmo se dar conta. O que fazer, então? Chorar? Hmm… Rir? Com certeza!

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Niemeyer: a vida é um sopro, a obra é um cuspe

O rei está nu, não vou deixar de ser um dos poucos a apontar. Oscar Niemeyer, a prima dona da arquitetura brasileira, pregou uma peça em sucessivos reis brasileiros. Sua arte foi vender escultura como arquitetura, vender o diferente como o criativo, vender o datado como o novo clássico, atemporal. A população do reino, seja para agradar o rei, seja para parecer moderna, ficou muda, aplaudiu. Assim não arriscou ser apedrejada como ignorante ao discordar da massa letrada e chique. O rei esta nu. A obra de Niemeyer é um conjunto de experimentos: algumas vezes brega, em geral tola, e quase sempre inimiga do bom senso.

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Oh, Monica, não chores por mim

“Ó senhor, como criastes um país assim tão perfeito, tão maravilhoso, tão bonito e tão cheio de recursos naturais? Não será isso injusto com todas as outras nações sobre a terra?” — começa uma piada no Brasil e na Argentina, sobre seu próprio país — “Não, minha pobre criatura, espere para ver o governo que colocarei lá!” Alguns americanos também pensam dessa forma sobre seu país. A Revista Mad, a louca, costuma nos EUA servir de válvula para essas sentimentos dissonantes, do tipo, “rir ou chorar”. Alguém aí se lembra da Monica Lewinsky?

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Bertrand Russell e o preço do livro

Ontem choveu na avenida Paulista, e eu me abriguei em uma banca de revistas. Encontrei um display com livros de bolso da Editora L&PM, e uma barganha irresistível. O livro de Bertrand Russel, com o título “No que acredito”, custava R$ 8,00 — menos que uma revista. É uma edição e tradução recente, de abril de 2007 — um ótimo trabalho. Bertrand Russell é considerado, junto com Jean Paul Sartre, um dos mais influentes filósofos do Século XX. O livro, pequeno e curto como são as obras bem escritas, é muito agradável de ler — e por oito reais o que você tem a perder?

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Querer versus poder, óticas filosóficas

Quem saberá o limite do que podemos fazer? Ninguém. Só há uma forma de realmente saber: tentar. E como tentar sem querer? O antônimo de querer é estar parado, morrer. Por isso diz-se que querer é poder. Pois com querer há poder possível, mas sem querer certamente não. Quem quer pode conseguir ou falhar. Quem não quer não consegue, ponto. Mas alto-lá. De que maneira o querer e o poder são reais frente a simplesmente o jeito como as coisas seguem?

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O que é o Poder

Poder militar, poder da elite, poder da natureza, os poderosos que estão no poder contra os que estão alijados do poder, o poder está em todas as frases e todas as bocas, mas o que é, afinal, o Poder?

Coloco aqui uma definição simples, positiva: ‘Poder’ é uma palavra que descreve, dentre tudo aquilo que um quer, o que ele pode realizar. “Querer não é poder“, diz o ditado. Quem quer às vezes não pode: eu quero andar e posso, eu quero voar e não posso. Meu poder me permite andar, mas não me permite voar. Assim se usa o termo poder — como fronteira real e prática da ação de um indivíduo, fronteira contra a qual se choca o seu querer.

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