Bertrand Russell e o preço do livro

Ontem choveu na avenida Paulista, e eu me abriguei em uma banca de revistas. Encontrei um display com livros de bolso da Editora L&PM, e uma barganha irresistível. O livro de Bertrand Russel, com o título “No que acredito”, custava R$ 8,00 — menos que uma revista. É uma edição e tradução recente, de abril de 2007 — um ótimo trabalho. Bertrand Russell é considerado, junto com Jean Paul Sartre, um dos mais influentes filósofos do Século XX. O livro, pequeno e curto como são as obras bem escritas, é muito agradável de ler — e por oito reais o que você tem a perder?

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Economia em uma lição, de Henry Hazlitt

Tradução completa e exclusiva do primeiro capítulo do original em inglês:

Capítulo I: A Lição

A Ciência Econômica é assombrada por mais falácias que qualquer outra área de estudo conhecida pelo homem. Isso não é acidental. As dificuldades inerentes ao assunto já seriam enormes de qualquer jeito, mas elas são multiplicadas mil vezes por um aspecto que é insignificante, por exemplo, na física, na matemática ou na medicina – os pedidos especiais de interesses particulares. Enquanto todo grupo tem alguns interesses econômicos idênticos aos de todos os outros grupos, todo grupo também tem, como veremos, interesses antagônicos aos de todos os outros grupos. Enquanto certas políticas públicas no longo prazo beneficiariam a todos, outras políticas beneficiariam somente um grupo ao custo dos outros todos. O grupo que se beneficiaria dessas políticas, tendo um interesse tão direto, irá argumentar por elas de forma coerente e persistente. Ele empregará as melhores mentes que puder comprar para que devotem todo seu tempo para apresentar o caso. E ao fim ou ele conseguirá convencer o público em geral de que seu caso é sólido, ou conseguirá causar tanta polêmica que qualquer raciocínio claro sobre o assunto se tornará quase impossível.

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Externalidades de rede, mercados explosivos

Historicamente a atratividade de um produto ou serviço é função de características intrínsecas ao mesmo. Por exemplo, quanto vale um cavalo ? Olhe os dentes, julgue a idade, veja se está bem alimentado, os pêlos brilhantes, pergunte sobre sua ascendência equestre — se for um cavalo de corrida pegue seus resultados nos últimos campeonatos. O valor do cavalo está associado ao que ele é, intrinsicamente. Da mesma forma, quanto vale uma jóia de ouro ? Você como joalheiro verifica qual a pureza do ouro, ou quantos quilates, qual o peso da peça, se tem alguma pedra valiosa incrustada, e ainda pode avaliar a qualidade do artesanato, desenho e execução, que a molda. Tudo está ali, embutido na jóia, intrínseco a ela. O conceito de externalidade de rede contrasta com essa intuição antiga de onde reside o valor, e é essencial para entender o mundo moderno, especialmente o que gira em torno da internet. Um objeto possui externalidade de rede quando seu valor é fortemente relacionado a aspectos externos a ele, mais especificamente ao tamanho do conjunto (ou rede) de objetos, idênticos ou complementares, que se relaciona com ele. Um dos exemplos mais simples de explicar é o da máquina de fax.

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O que é o Poder

Poder militar, poder da elite, poder da natureza, os poderosos que estão no poder contra os que estão alijados do poder, o poder está em todas as frases e todas as bocas, mas o que é, afinal, o Poder?

Coloco aqui uma definição simples, positiva: ‘Poder’ é uma palavra que descreve, dentre tudo aquilo que um quer, o que ele pode realizar. “Querer não é poder“, diz o ditado. Quem quer às vezes não pode: eu quero andar e posso, eu quero voar e não posso. Meu poder me permite andar, mas não me permite voar. Assim se usa o termo poder — como fronteira real e prática da ação de um indivíduo, fronteira contra a qual se choca o seu querer.

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O Porquê de Machos e Fêmeas

Depois que se sai da escola percebe-se que no mundo real é mais importante ser capaz de elaborar boas perguntas do que respondê-las. Encontrei em um site de perguntas e respostas uma boa pergunta: “As vantagens evolutivas da reprodução sexuada (aumento da variabilidade genética) não poderiam ser obtidas de modo mais simples com hermafroditas? Em cada encontro sexual, os 2 indivíduos poderiam fertilizar e ser fertilizados simultaneamente, o que me parece mais “econômico”… por que a natureza não adotou essa solução?”

Quando se questiona o que é muito básico, o que é tomado por certo e óbvio, tem-se a oportunidade, muitas vezes, de aprender algo profundo. A questão de por qual razão existem dois tipos de indivíduos, os machos e as fêmeas, em quase todas as espécies sexuadas é uma dessas questões interessantes. Naquele site, sob um pseudônimo, respondi a essa pergunta, e copio aqui a resposta, expandindo um pouco sobre as implicações que ela traz.

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Livre como Hong Kong

Milton Friedman ficou famoso apresentando uma série de televisão com o título “Free to Choose”, em que ele exortava os benefícios de deixarem as pessoas individualmente tomarem suas decisões, sem o carregar o governo, pesado e mandão, em suas costas.  É interessante como para muita gente as vantagens de deixar cada um cuidar de si para a economia como um todo são evidentes. E é interessante como para outras pessoas essa liberdade traz temor de uma visão de caos, destruição e ruína.  Também é interessante como tantos dos que têm a primeira opinião cuidam de si mesmos, e tantos dos da outra estão no governo, direta ou indiretamente, cuidando e sendo cuidados pelo sistema centrado em Brasília e nas filiais estaduais.  Bom, agora que Friedman faleceu vale a pena lembrar o que ele diria a todos nós aqui, neste país envergado sob o peso de um estado pesado e ineficiente…
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O homem que odiava o governo

Morreu ontem Milton Friedman, para alguns o maior economista do século XX. Há muitos textos na internet sobre sua vida e sua obra, e eu copio abaixo um deles, da revista Salon. É em inglês, língua do americano Friedman. Indo na seção de comentários pode-se ver como sua forte presença intelectual gera reações antagônicas nas pessoas, segundo sua posição ideológica.

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