O padre voador e as noivas recalcitrantes

A história sempre se repete. A história sempre se repete. Esta semana Adelir de Carli, um padre paranaense, se perdeu no ar, ou no mar, pendurado em centenas de balões de festa. Há quem o esteja querendo candidatar para ganhar um Darwin Award. Para isso sua morte terá de ser comprovada. De outro modo será apenas uma repetição do americano que em 1982 saiu voando de casa em uma cadeira de jardim. Mesma idéia, 26 anos antes. Não há falta de bom senso que não se repita.

O pai do padre voador?
Larry Walters, um caminhoneiro de North Hollywood, Califórnia, decolou em 2 de julho de 1982. Ele não tinha nenhum treinamento como piloto ou balonista. Encheu 45 balões coloridos com gás hélio e os prendeu, em pencas, a uma cadeira de alumínio comprada por 110 dólares numa loja de departamentos. Em sua viagem ele levou uma garrafa de dois litros de refrigerante, muitos garrafões de plástico cheios de água para servir de lastro, uma espingarda de chumbinho, um rádio de ondas curtas portátil, um altímetro e uma câmera. Vestiu um para-quedas e montou na cadeira no telhado da casa de sua namorada, ajudado por dois amigos que desamarraram a cadeira. Rapidamente subiu a perder de vista. Pelo rádio avisou que estava atravessando o porto de Los Angeles, pelo céu, e indo na direção de Long Beach. Em pouco tempo ele estava a 5,000 metros de altitude. Mais tarde diria que ficou tão deslumbrado com a vista que não tirou nenhuma foto. Aviões de carreira se aproximando do aeroporto de Los Angeles viram nosso audaz balonista e o reportaram à torre de comando, causando alarme geral.

Lá no alto, gelado e zonzo com a altitude, Larry usou sua espingarda de chumbinho para estourar alguns balões, e começou a descer. Embora estivesse pensando em aterrisar num gramado terminou mesmo foi preso em uma linha de alta tensão. Bombeiros tiveram que desligar a linha de transmissão, e deixar um bairro de Los Angeles às escuras por 20 minutos, para que nosso caminhoneiro voador voltasse a pisar em terra firme, sem nenhum arranhão.

Instantaneamente nosso audaz virou uma celebridade, sendo entrevistado em inúmeros programas de televisão. Mas a fama durou pouco. A história toda está aqui, apropriadamente hospedada no site do Darwin Awards. E há o epílogo: algum tempo depois Larry foi abandonado pela mulher que namorava fazia 15 anos, viu sua carreira de palestrante definhar, e só conseguiu emprego de vigia noturno. Em 6 de outubro de 1993 se suicidou com um tiro no peito, aos 44 anos de idade.

Mas foi inspirador para vários outros tentarem a mesma coisa. O primeiro talvez tenha sido um sujeito chamado Kevin Walsh, que voou em Massachussets em 1o de janeiro de 1984, um ano e meio depois de Larry. Até hoje seu feito continua gerando clones nos EUA, como mostra o filme abaixo.

Larry, Kevin, Adelir… se você acha que tanta ousadia assim daria para fundar um clube, não se agite muito com a idéia. Porque um clube já existe (só não leia este artigo em inglês, pois você pode querer experimentar achando que é seguro e divertido).

As Noivas Recalcitrantes
Ouça aqui meu conselho, jovem rapaz. Se um dia quiseres propor casamento a uma linda mulher não o faça no intervalo de um jogo de basquete. Eu repito. Não se declare na frente de 5 mil pessoas. Parece ser um conselho simples, quase óbvio. Mas ainda assim ignorado. Este ano liguei a televisão e vi no Jornal da Globo sobre este apaixonado fracasso no jogo do Houston Rockets:

Que azar. Quantas mulheres seriam tão cruéis a ponto de fazer isso com um pretendente? Muitas! A história sempre se repete. A história sempre se repete. Vamos para 2006, intervalo de um jogo do Washington Wizards. O homem se ajoelhou, pediu a donzela em casamento mas ela não ficou feliz. Exercite sua veia sádica abaixo.


Agora 2005, no intervalo de um jogo de basquete no estádio do Orlando Magic. Uma noite memorável para um casal. Adivinha o que aconteceu. Deste não tem vídeo, mas tem a reportagem do jornal.

O mundo dá muitas voltas, mas girando volta para o mesmo lugar. Deja vu não é só um artefato na Matriz, ou um fabricação da mente. Não há falta de bom senso que não se repita.

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