Niemeyer: a vida é um sopro, a obra é um cuspe

O rei está nu, não vou deixar de ser um dos poucos a apontar. Oscar Niemeyer, a prima dona da arquitetura brasileira, pregou uma peça em sucessivos reis brasileiros. Sua arte foi vender escultura como arquitetura, vender o diferente como o criativo, vender o datado como o novo clássico, atemporal. A população do reino, seja para agradar o rei, seja para parecer moderna, ficou muda, aplaudiu. Assim não arriscou ser apedrejada como ignorante ao discordar da massa letrada e chique. O rei esta nu. A obra de Niemeyer é um conjunto de experimentos: algumas vezes brega, em geral tola, e quase sempre inimiga do bom senso.

Concreto armado

Niemeyer abraçou a técnica construtiva do concreto armado. Com concreto armado podem ser feitas estruturas impossíveis sob as técnicas anteriores, ou seja, com concreto armado é possível fugir das formas arquitetônicas refinadas por séculos, como as utilizadas na Catedral da Sé. O cimento moderno (Cimento Portland) surgiu em meados do século XIX. Com o desenvolvimento de aços mais resistentes nos idos de 1930 surgiu o concreto armado capaz de realizar grandes construções. Eis então que na década de 1950 Niemeyer surge brandindo essa tecnologia em sua arquitetura.

Grande parte da inovação atribuída a Niemeyer vem disso: usar um material construtivo relativamente sem restrições, em uma época que ele era ainda novidade. Entendo que a inovação aqui estava na tecnologia, que veio independente de Niemeyer e seguiu, inexorável, para dominar a construção civil no Brasil. A questão mais importante não é se ele fez diferente, pois isso seria quase inevitável. Chave é se a forma que ele escolheu fez sentido em última análise. Se sua obra foi simplesmente uma paleta de experimentação das possibilidades de uma tecnologia nova, pagamos caro para ele fazer protótipos faraônicos. De tudo aquilo que o concreto armado possibilitava, terá sido a escolha arquitetônica feita por Niemeyer particularmente feliz?

museu-nacional.png

Não acho. Acho que ele foi uma vítima da ausência de restrições impostas à sua obra, sejam de adequação ao uso, de orçamento ou de tecnologia construtiva. A maior restrição à criatividade é a ausência de restrições. E foi isso que atingiu Niemeyer. Houve uma tal falta de parâmetros que o resultado foram obras excêntricas, traços de lápis no papel transformados em extravagâncias esculturais. O único parâmetro foi a preferência pessoal do artista, que ao se tornar pop se tornou inquestionável, e ao se tornar inquestionável se tornou burra, como qualquer unanimidade.

Desconectado do natural

Niemeyer é geométrico, linhas, curvas e volumes. Não há nada de orgânico em sua obra. Não há nenhuma capacidade de usar a natureza, nem de se integrar à ela, como grandes arquitetos fizeram. As instruções deste arquiteto são para eliminar as árvores, afastar a vegetação, deixar o árido dos horizontes nus para que os traços da geometria euclidiana apareçam. Nisso ele manifesta o crime da civilização ocidental, trazida a nós desde o descobrimento: encarar a mata, os bichos, as águas, as pedras como os imperfeitos, aqueles no caminho do estabelecimento da visão racional e idealizada do homem. Estamos no ano 2000, e durante os últimos 100 anos evoluímos para incorporar a visão da civilização oriental, de harmonia com a natureza. Grandes arquitetos, como Frank Lloyd Wright, sempre estiveram sintonizados nessa necessidade. Nosso Oscar Niemeyer não, ficou com a roda presa no passado, não conseguiu fazer nada com a natureza além de usar como base para fincar suas formas geométricas extravagantes. Que poderiam estar pousadas em qualquer lugar, desintegradas que são.

Especificamente, as falhas de Niemeyer são:

  1. Não envolve o projeto com o que o cenário natural, virgem, lhe proporcionava;
  2. Não faz uso de vegetação ou paisagismo, pelo contrário, arranca toda a vegetação;
  3. Não faz uso de materiais locais, que fariam todo o projeto se harmonizar com o contorno: pedras, terra, madeira.

Note de forma muito evidente essas falhas ao comparar dois projetos. De um lado, Fallingwater House, projetada em 1935 pelo arquiteto Frank Lloyd Wright. A casa usa pedras locais, se envolve com a vegetação e se encaixa no terreno de tal forma que seria inimaginável ter aquela construção em qualquer outro lugar. Do outro lado, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, às margens da Bahia da Guanabara, um cenário natural belíssimo, extremamente generoso e repleto de possibilidades que Niemeyer ignorou, preferindo colocar uma taça, tola, sobre a pedra. Nada na construção do museu faz alusão ao contorno. Nenhuma vegetação o adorna. Sua cor branca é neutra e estéril como uma lata de tinta acrílica. Todo o projeto poderia ser transferido para outro lugar qualquer, e continuaria inteiro, indiferente. Não é surpresa ser comparado a um disco voador. Pena que não voa.

Sem compromisso funcional

Antes de tudo, o que me chamou a atenção de que alguma coisa não funcionava nas obras de Niemeyer foi o Congresso Nacional. Estive a alguns anos em Brasília a trabalho, hospedado próximo à Esplanada dos Ministérios. A esplanada é uma impressionante avenida, com um grande gramado no centro, muitas autopistas e uma série de prédios padronizados, os ministérios. Uma noite pude ver toda esplanada com o congresso ao fundo, tudo iluminado, e fiquei impressionado com a bela vista.

Passando de taxi em frente ao Congresso, no outro dia de manhã, tentei imaginar como seria estar vendo aquilo tudo da mais impressionante das construções da Esplanada, o Congresso Nacional. Foi então que me dei conta, pasmo: as janelas dos prédios do Congresso Nacional não davam, nenhuma delas, de frente para a Esplanada. Pelo contrário, os dois prédios eram como que caixas de cigarro de pé, frente a frente, e as janelas estavam, metade delas pelo menos, se abrindo para o prédio vizinho, quase colado. Ficou claro para mim: para criar uma escultura que, vista de longe fosse bonita, Niemeyer passou por cima do bem estar e do interesse dos funcionários públicos que usariam o prédio. Construiu, em essência, um prédio para olhar de fora, não para ocupar.

Infelizmente decisões como essa, em que a estética puxa a obra e a “usabilidade” do espaço é considerada secundariamente, se tanto, são aparentemente constantes na obra de Niemeyer. Houve uma pequena discussão, muito interessante, em torno de um artigo escrito por Daniel Piza, de O Estado de São Paulo, chamado “Niemeyer e a Unanimidade“. Um dos visitantes, chamado Gilberto, escreveu:

“Já tentou assistir uma missa na Catedral? Não se escuta nada.
Já foi a uma recepção no Palácio da Alvorada? Dizem (lá eu nunca fui) que o cheiro de fritura invade o salão.
Já foi ao Teatro Nacional? Se você tiver mais de 1,70 (1,70!) suas pernas encostarão na poltrona da frente.
Já entrou no Palácio do Planalto? Quente, muito quente.
Já andou pelo Congresso Nacional? Um desperdício de espaço como poucos.
Dizem que viver no Copan é um inferno.”

Ao que um outro, tentando defender Niemeyer e em minha opinião desenterrando de vez a base da reputação do arquiteto, retrucou:

“A última coisa que a pessoa deveria se preocupar quando visita algo de Niemeyer é se o lugar tem banheiro ou não. (…) Ele, Niemeyer, simplesmente tem um visao diferente de como deve ser arquitetura.”

Ora, que espécie de passe-livre é esse que é dado a Niemeyer? Esse tipo de posição, que ensina ignorar o que é evidente, faz perfeito paralelo com aquela parábola infantil, “A Roupa Nova do Rei.” Será que devemos dividir a classe dos arquitetos brasileiros em dois tipos: Niemeyer, que não precisa colocar banheiros, e todos os outros, que precisam? A questão não é, nunca foi, funcionalidade versus originalidade. Uma excelente funcionalidade convive com um desenho original e o valoriza. O Hotel Unique , um projeto do arquiteto Ruy Ohtake, em São Paulo, demonstra isso. O equilíbrio de todas as demandas de um projeto diferencia o grande arquiteto.

A obra de Niemeyer junta a falta de apego ao natural com a falta de visão funcional ao realizar prédios com dependência crônica de iluminação artificial e ar condicionado. Ou seja, prédios anti-ecológicos, lástimas terríveis quando julgados sob a ótica da eficiência energética e economia dos recursos naturais. Paulo Boccato, um comentarista mais exaltado do mesmo artigo do Daniel Piza, escreveu sobre a Biblioteca do Memorial da América Latina, projetada por Niemeyer:

“Ele pensou em tudo o que foi estético mas esqueceu que o prédio seria usado para se ler e guardar livros, usado por gente de carne e osso (…). O resultado é uma biblioteca onde a luz é péssima (parece um shopping center ou cassino, não há janelas e luz) e onde as pessoas caem tropeçam a todo instante no piso cheio de recuos e recortes.”

Não posso julgar a funcionalidade do total da obra sem ter visitado tudo, mas o que vi, e o que ouço dos que conhecem o que não vi, parece reforçar aquela minha primeira impressão do Congresso Nacional em Brasília.

Casado com o estatismo

Um aspecto notável da trajetória profissional do arquiteto Oscar Niemeyer foi seu relacionamento com o governo brasileiro. Niemeyer, stalinista, conseguiu o sonho comunista de ter o estado lhe provendo aquilo que queria. Em troca deu ao estado aquilo que ao estado era importante. Ou seja, emprestou sua grife arquitetônica para obras acessórias onde o orçamento não era uma questão. Um político sempre pode ter os custos, a execução ou a finalidade de uma obra pública questionados. Mas dizer “é um projeto de Oscar Niemeyer” serve como um espécie de seguro contra críticas ou maior intromissão. Mais do que o talento, o patrimônio pessoal de Niemeyer é ter se tornado uma marca que atinge um ponto macio no coração da maior parte dos brasileiros, junto com a Bossa Nova e JK.

O relacionamento tão proveitoso, tão ganha-ganha entre Niemeyer e o estado brasileiro, impactou aquele que nunca sentou na mesa mas que sempre paga a conta, o público, vulgo “povo.” Houvesse Niemeyer continuado a se colocar em pleito popular, criando obras que o público individualmente comprasse, haveria outro diagnóstico. Entretanto, desde que descobriu o caminho estatal Niemeyer se divorciou do mercado habitacional e comercial. Ou seja, fugiu do risco de não agradar. Achar um museu muito bom, quando não se vê o que foi pago, é uma coisa. Pagar o preço de um apartamento ou de um escritório dá um outro senso crítico.

O fascínio ideológico de Niemeyer o fez homenagear sem nenhuma sutileza o livro “Veias Abertas da América Latina”, escrito em 1971 pelo uruguaio Eduardo Galeano. Na cabeceira da esquerda em todo o continente, tal texto reuniu elementos de inúmeras passagens históricas para repetir com forte carga emocional o mesmo ponto quinhentas vezes: nós, Latino Americanos, somos pobres porque eles, os outros, os “países do centro”, os colonizadores, são ricos. Nas décadas de 70, 80 e 90 os intelectuais daqui se embebedavam nessa conveniente terceirização da responsabilidade pelo nosso atraso. O livro é um coquetel dramático de 3/4 de “Ó deus, ó vida, ó azar” e 1/4 de inveja, adornado com uma cereja de complacência fincada num palito de fatalismo. Nas mesmas décadas Coréia do Sul, Singapura, Malásia e Tailândia, que eram tão pobres quanto a América Latina (e foram tão colônias quanto) trabalharam e “enricaram”. Sem ler Galeano.

No Brasil e na América Latina quem tem as mãos manchadas do sangue incriminante da pobreza, a classe expoliadora que tem na falta de ética uma virtude, é a corte estatal. Não menos do que a corte que os franceses extinguiram na Bastilha, a corte estatal nacional, dos coronéis aos sindicalistas, vive num mundo esdrúxulo de apropriação e mal-uso da riqueza produzida pelo resto da sociedade. Toda espécie de arbitrariedade fiscal é imposta à população, sangrando a veia. Niemeyer dessa sangria é cúmplice entusiasmado. Não parece extremamente lógico uma obra faraônica ser paga pelo estado para propagandear que o sanguessuga das riquezas na verdade é outro, lá no estrangeiro? E não faz todo o sentido que tal obra seja assinada por um escultor que gostaria que tudo pertencesse ao estado?

Preso no passado

A opção estética de Brasília foi uma grande aposta. Por um lado foram conservadores ao deixar todo o projeto na mão de dois homens, cada qual com sua alçada, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Assim diminuiram o risco de falta de harmonia. Por outro lado incentivaram-los a montar uma estética que em tal escala “nunca antes neste país” havia sido feita. Nem nunca antes em lugar algum. A aposta era que estaria sendo inaugurado um novo estilo, uma marca de modernidade para o Brasil, sôfrego pela aura de país do futuro. Enquanto a URSS e os EUA testavam armas atômicas, disputavam a corrida espacial e colocavam os primeiros astronautas em órbita o Brasil construia Brasília. Era um outro mundo.

Muito da estética dos anos 60 sobreviveu, ficou clássica, como as mini-saias. Muito também ficou irremediavelmente datado, como os carros rabo-de-peixe imitando foguetes. A estética de Niemeyer não está nem em um extremo nem em outro. Mas algo dela ficou presa naquele passado. As obras de Niemeyer dos últimos anos não conseguem deixar de mostrar uma defasagem com relação a arquitetura atual, defasagem que o faz parecer datado, sem modernidade. Chama atenção, por exemplo, o contraste entre o Museu Oscar Niemeyer de Curitiba e o Museu Guggenheim de Bilbao, de Frank Gehry. O projeto de Curitiba decididamente tem aparência mais antiquada, embora tenha sido inaugurado em 2002, cinco anos depois da inauguração do Guggenheim de Bilbao.

Mesmo julgando Niemeyer pelo padrão da sua época mais fértil, quando Brasília foi construída, encontramos nele um arquiteto que não era revolucionário, mas apenas sintonizado com o período. Em 1957 Jorn Utzon (quem?), um arquiteto dinamarquês, foi campeão em um concurso proposto pelo Governo Australiano, com o projeto da Sidney Opera House. O edifício se tornaria símbolo da Austrália.

Contemporânea a Brasília, a Sidney Opera House reforça o ponto de que o talento de Oscar Niemeyer para as curvas e os desenhos marcantes poder ter sido grande, mas não impar.

Um arquiteto

Oscar Niemeyer está em processo de canonização, aguardando para se juntar ao panteão dos heróis do país. É praxe nacional, como na Igreja Católica, não canonizar ninguém em vida (Pelé foi uma exceção). Com seus hoje 100 anos de idade, no entanto, Niemeyer em breve superará os últimos requisitos para deixar de ser um homem e virar um santo. Como homem-símbolo vai preencher uma gavetinha na psiquê brasileira, uma gavetinha onde está escrito “arquiteto”. Igual a Santos Dumont, Villa-Lobos e Ruy Barbosa, que ocupam eternamente as gavetas “inventor”, “compositor” e “intelectual”, ele em breve será inatacável. Será tão perfeito quanto as aspirações do país, será oficializado um dos maiores talentos que o mundo já viu. Nessa condição permanecerá para sempre, da mesma forma que infinitos ronaldos e maradonas nascerão sem nunca tocar em Pelé. Criticá-lo ou questionar sua grandeza será um crime de lesa-pátria, como cuspir na bandeira.

Eu sou um tolo brasileiro qualquer, sem formação artística. E assim vejo Niemeyer: como um arquiteto, não como o pai de todos os arquitetos, não como o arquiteto para acabar com todos os arquitetos. No meio da comoção nacional, em meio ao festival de eulogias que se seguirá ao anúncio de sua passagem, gostaria que alguém lembrasse que ele não foi perfeito. Suas criações dizem, a quem souber ouvir, que ele foi apenas um homem, com suas qualidades e capacidades, com seus defeitos e limitações. Que não fechem o caixão da arquitetura brasileira com Niemeyer, pois há e haverá muita coisa coisa para ver além de sua obra, no Brasil e no mundo, se nosso ufanismo não nos cegar.

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33 respostas em “Niemeyer: a vida é um sopro, a obra é um cuspe

  1. Niemeyer é simplesmente um anjo que caiu do céu e faz arte …Arte cabe em qualquer canto epode ser amada ou odiada……
    Enir

  2. Gosto é que nem rabo, todo mundo tem o seu. Eu não posso culpar ninguém por não gostar no Niemeyer, mas pessoalmente faltaram argumentos pra falar mal de sua arquitetura, porque falar, todo mundo fala, agora fazer… Niemeyer é o maior arquiteto brasileiro de todos os tempos e uma das maiores mentes do século XX e XXI, seu estilo de arquitetura valoriza a pureza das formas, a música sob forma de pedra. Existe uma grande diferença entre arquitetura e escultura e Niemeyer sabe disso, quem não sabe é o autor deste texto, provavelmente leigo em arquitetura. Além disso existe uma notável diferença entre arquitetura de casas e de prédios públicos, a casa de cascata de Frank Lloyd Wright é realmente genial, mas não pode ser comparada aos prédios de Brasília, pois são de tipos diferentes. Uma boa é olhar o museu Guggenheim de Nova Iorque, do próprio Frank Lloyd Wright, verá que não se assemelha em nada com a casa da cascata e que a puraeza de formas lembra muito mais o próprio Niemeyer.

  3. Bom… se vc acredita que as obras de Ruy Ohtake são boas… sugiro que assista uma palestra pra ver como elas (nao) tem fundamento… é muito mais escultura por escultura, do que as obras de Niemeyer…
    Essa comparação foi incrivelmente infeliz!

  4. Prezado Ricardo,
    as obras de O.N. são passíveis de erros sim e de receber críticas, embora seja magistral. Li atentamente cada um dos pontos que menciona, infelizmente sua sustentação não condiz com a realidade, parece-me um enorme mau-humor, má vontade, irritação, uma postura totalmente passional contra a obra deste talentoso arquiteto.
    Embora o sr. rasgue elogios para a casa fallingwater, mas me pareceu uma amontoado de andaimes. A Casa das Canoas do O.N. é uma maravilha. Bom, desculpe-me incomodar o Sr. com meus dizeres, mas é que não pude me conter diante dessa injustiça, desse embasamento para maldizer O.N., repito, embora suas obras tenhas mil defeitos, mas tem grandeza. Gostarai de sugerir ao sr. um olhar mais limpo, mais cristalino, menos irritado, para aproveitar as boas lições do mestre.

  5. Após leitura minuciosa,formulei a seguinte hipótese para atribuir tamanha insensatez do autor desta matéria:
    Caso seja o autor, um profissional de renome no meio arquitetônico brasileiro,atribuo a um provável “inconformismo ao fato de não ter em seus trabalhos, o reconhecimento público de seu opositor, o nosso ilústre O.N”.Concordo com a Ana Carolina quando se referiu à passiolidade do mesmo e acrescento:Sua opinião além de passional tambem é ofensiva ao se referir à belíssima obra que é o Museu de Arte de Niterói.

  6. Finalmente encontrei alguém, além de mim, que diga:”Mas que porcaria é esta? Isto não é bonito. Isto é ridículo!” Este tal Niemeyer fez obras muito feias! E o incrível é que a maioria diz o contrário! É a tal história das “roupas novas do Rei”. Este homem só fez o que fez porque se utilizou de verba pública. E mais, apenas se utilizou de verba pública por era Comunista. Sim, Comunista! E Este Niemeyer ganhou, em 1963, a “prêmio Stálin da paz”, uma medalha de mérito concedida pela URSS. Depois tal medalha foi renomeada de “prêmio Lênin da paz”, após a divulgação do genocídio que Stálin promoveu. E Niemeyer sempre se declarou stalinista, com muito orgulho. Que vergonha para o Brasil! Um homem que admira genocidas e seus métodos e que enfeiou o país, além de ter gasto muito dinheiro público. E para quê tanto dinheiro, se Niemeyer diz que: “sinto vergonha de ser rico”.

    • Fernando, vc resumiu tudo o q acho desse velhaco comunista. Ele tem um tremendo mal gosto e sua ideologia ainda é pior que suas obras. Aliás nunca vi ninguém gostar tanto de dinheiro como comunista!!! Mas gosta do $$$ dos outros, claro. De prefência dinheiro público…

  7. Fala, Ricardo!

    Pena que as pessoas não querem, ou simplesmente não conseguem entender o questionamento que você faz do senso comum. Infelizmente a unanimidade é burra, e sempre será, e os “não-unânimes” sofrerão eternamente, já que para a imensa maioria é muito mais confortável não pensar e aceitar o que todos consideram como certo ou, em alguns casos, “óbvio”. Pra quê discordar da maioria se eles são maioria? 🙂

    Há um monte de reis nus por aí. À caça desses alfaiates de meia-tigela!

    Grande abraço, Ricardo!

    Marcelo Guerreiro
    (Col. Nazaré – Belém – agora no RJ).

  8. odeio comentar, mas… primeiro, o ruy ohtake não é nem nunca foi um grande arquiteto. socorro! já o frank lloyd sim, magistral. mas se assemelha mais à escola paulista, se você for fazer uma análise um pouco mais aprofundada. concordo que nem todas as obras de niemeyer são louváveis, mas ele merece o reconhecimento que conquistou. ele é um grande arquiteto e escultor – as duas coisas juntas. e erra. às vezes prima pela luz, muitas vezes pela paisagem. não sei quantas obras você visitou. eu, muitas. e o museu de arte de niterói possui uma das vistas mais deliciosas que se pode almejar. ah, uma coisa – o congresso, aliás, tem as aberturas dispostas daquela forma para evitar que o sol oeste invada as salas pela tarde. isso sim tornaria o ambiente de trabalho insuportável. ele não figura na lista dos meus 10 mais (arquitetos) mas merece respeito por acreditar na arquitetura que produz e amá-la. e fez coisas muito, muito belas! mais uma coisinha… não há nada errado em um dia ter se declarado comunista. é um posicionamento político! o mundo era dividido desta maneira antes! e, bem, a nossa ditadura (de direita) também matou e torturou muitos, lembra? sem mais…

  9. Ricardo:
    Concordo inteiramente com o comentarista Marcelo Guerreiro.
    Achei o artigo muito bem pensado e estruturado, e é mais ou menos o que penso sobre o assunto (acredito que entendo um pouco de arte e arquitetura).
    O único senão é que, ao meu ver, encheram e enchem tanto a bola de Niemeyer, não por ele ser comunista, mas apesar de ele ser comunista (o que, hoje em dia, não significa nada). Bom, talvez seja porque, como insinua uma leitora acima, ele seria “um anjo caído do Céu”; mas essa hipótese é perigosa, pois pode levar alguém a pensar que um céu que produziu resultado tão pífio não seria tão perfeito assim…
    Niemeyer é um caso típico de “reputação construída” artificialmente (e quem, no nosso “mundo livre” vai ter coragem de garimpar os verdadeiros “porquês” dessa criação?). Estive lendo estes dias um livro sobre Antoni Gaudi, com detalhes de suas obras instigantes (num tempo em que não havia concreto armado). Não pude fugir à conclusão de que Niemeyer foi e é uma imitação grotesca do finado catalão. Um mero simplificador de formas, um arquiteto equivocado, um escultor mediano e um comunista sofrível. Mas parece ser um bom velhinho.

  10. Bom, corrigindo um pouco o meu enunciado anterior, parece que há 2 Oscar Niemeyer. Um é o criador do Palácio da Alvorada (belo se visto do ângulo e distância adequados), do Palácio Itamaraty e da Catedral de Brasília. O outro é o que veio depois, aparentemente um caso de promessa não realizada.

    Pelas fotos da Catedral (belo projeto) nota-se que os bancos para os fiéis se apresentam, ali, como elementos estranhos, desarmônicos com o cenário onde anteriormente só os anjos mal pendurados destoavam. A solução seria retirar os bancos, sendo a igreja usada à moda islâmica. Mas o ideal mesmo seria ter Niemeyer incluído bancos ou elementos substitutos em seu projeto…

  11. Nossa, desculpe o termo, mas vc disse muita m**** nesse artigo. Não vou postar aqui tudo o que penso, pois levará tempo demais.
    Pode me contactar de maneira que eu faria questão de discutir o assunto com você, e quase certamente mudar seu ponto de vista.

  12. É tanta sandice escrita num único texto que consegui ler até a metade. Te falta conhecimento sobre arquitetura, design, Bauhaus. Niemeyer é um dos últimos titãs do estilo que consagrou a arquitetura moderna do século XX, o “International Style”, que pregava o racionalismo absoluto e a funcionalidade máxima das formas, a completa ausência de ornamentos (o que levou o grande arquiteto a transgredir para as curvas ornamentais), também abusou das janelas cortinase das esquadrias, dos pilotis, da linha reta extrema, dos elementos tão caros ao estilo internacional. Le Corbusier, o grande mestre e mentor da moderna arquitetura dizia que Niemeyer tinha as montanhas do Rio no olhar e vem você e esculhamba. Só pode estar brincando.

  13. Bom… não vou discutir sobre a arquitura de Niemeyer, pois não tenho gabarito para isto, ainda!
    Mas, sobre o último parágrafo, o próprio Niemeyer já falou isso em público: “Apenas trabalhei”.

  14. Excelênte artigo! Moro há 25 anos em Brasília e nunca deixo de me indignar ao observar nenhuma funcionalidade nos edifícios a maioria com um anexo melhorado…que ridículo. A catedral ele projetou para que fosse impossível frequentar durante o dia tamanho é o calor o sol refletido lá dentro. E quantos espaços gigantescos vazios…quantas distâncias mesmo com carro ainda é bem difícil se locomover aqui. E quanto critico o arquiteto me dizem: Cala a boca vc não sabe o que tá falando. É a unanimidade burra, sem visão crítica apenas repetem o que aprendem desde cedo. As escolas se prestam a este papel…

  15. Existe uma reportagem de primeira página do caderno B do falecido Jornal do Brasil que mostra muito bem que as obras de Niemeyer são cópias. As fotos estão lá e são inquestionáveis. A igreja da Pampulha é uma igreja românica da Provence, na França, o MAC é cópia do Bervedere da Rio Petrópolis, as colunatas de Brasília são cópias de algum lugar. Seria muito interessante resgatar esta reportagem.

    Niemeyer um dia será reconhecido como alguém que destruiu Niterói. É inumano, não aceita árvores e as destrói quando pode, como destruiu um lugar lindo e arborizado para construir uma praça deserta e inóspita em auto homenagem.

    O caminho Niemeyer é a coisa mais esdrúxula que existe depois de Brasília. Sem condições de ocupação. Uma ode à megalomania.

  16. O famoso arquiteto é uma prova de que visões particulares não podem ser universalizadas. Há o exemplo claro de um CIEP, no rio de Janeiro, que, com o argumento de que a educação não podia ter fronteiras, foi construído sem limites entre as salas (as paredes eram baixas, não iam até o teto, prejudicando o isolamento acústico necessário à concentração). Isso resultava em os professores ou se revezarem, para poder dar aula enquanto as crianças das demais turmas estavam na recreação, ou aumentarem a voz, para fazer face ao ruído vindo das outras salas. Na época, quando houvi essa pérola, que o próprio Darci Ribeiro atribuiu a Niemeyer(Educação não pode ter fronteiras), comentei que ali havia dois problemas, primeiro era adotar uma metáfora em seu sentido absoluto, denotativo, indicava uma espécie de burrice, só encontrada em alguns tipos de psicoses graves; por conseguinte, em segundo, educação, metaforicamente, não pode fronteiras, mas tem de ter limites, quer sejam espaciais ou temporais. Pois se radicalizássemos, como ele, esse postulado, manteríamos as crianças por vinte quatro horas dentro dos CIEPs, e não apenas durante oito ou dez horas.

  17. Artigo muito bom, argumentos e comparações perfeitas. Sem dúvida, os projetos de Niemeyer são estéticamente admiráveis. Na minha opinião a prioridade da arquitetura é criar um espaço habitável, visando a qualidade de vida de quem irá habitá-lo. Um ponto crucial que o nosso arquiteto deixou a desejar.

    Essas obras são somente para admirar mesmo, porque não me imagino morando no Edifício Niemeyer.

  18. Caro, autor deste texto.
    1- Qualquer pessoa nu mundo que tenha o tempo que voce tem, para gastar, escrevendo este texto, provavelmente, nao tem mais nada que fazer.
    2-Se quer ser diferente, faça algo diferente e conquiste respeito e admiração, não fique falando mal , nem que for por respeito a uma pessoa de 103 anos.
    3- Se voce é arquitecto, sugirou que mude de profisão. Porque o 1- passo para entender a arquitectura, e respeitar e perceber , o objecto arquitectonico.
    4- O.N, trabalhou e foi respeitado, por um dos melhores arquitectos de todos os tempos, `Le Corbusier` . Os premios que O.N ganhou foram ganhos, de que?Pense!!
    5- Frank O .Ghery, não é um exemplo de bom arquitecto.
    6- A arquitectura, tal como a musica, e a pintura, tem muitas escolas, e estilos, vc, nao precissa gostar de todos, mas não tem que falar mal, do que não é seu.
    7- Depois, do que vc escreveu, tbm se poderia dizer , que michael jackson, não valia nada, e dar meus palpeites e dar minhas justificações. e bla bla bla.
    8-Para que conste, o mundo nao é feito de unanimidade, mas normamelmente se rege pelo voto das maiorias. e Vc meu amigo, neste tema é minoria.

    • 1- Já notou como em geral as pessoas que não têm tempo são as que não fazem nada?
      2- Entendo a sua tese: você é pró-beatificação (103 anos!). Mas escrevi o artigo justamente para argumentar contra beatificação, do O.N. ou de qualquer outro. Pensamos diferente. No mundo real nada é perfeito.
      3- Os que repetem respeitam, os que inovam não respeitam. Mas não se preocupe. Conforme disse no artigo, não sou arquiteto.
      4- Ótimo para ele. Irrelevante para os pontos que coloquei no artigo.
      5-Fico honestamente curioso para ouvir sua opinião, pessoal e elaborada, sobre Frank Gehry. Envie um link quando tiver tempo para publicá-la.
      6- É meu, é seu, é do Brasil. Por essas obras infelizmente eu paguei (eu, meus pais, meus avós e as próximas muitas gerações de minha família, assim com da sua). Você já parou para se perguntar para onde foi o dinheiro do superávit da previdência de natais passados, que tanta falta farão nos natais futuros? Dica: começa com “Bra” e termina com “sília”. Começa no imposto que pagamos e termina num ralo gigante.
      7- Claro. Vide resposta 2.
      8- Pois sim. Lembra do lema da Apple? “Think different.”

  19. Realmente Oscar Niemeyer é um comunista bobão que só fez obrinhas com o suado dinheiro do povo honesto Brasileiro, é uma pena todas essas pessoas defendem esse monstrinho que deixou o Brasil na pior… Oh que coisa!!!Lembro que Niemeyer veio de Portugal ao Brasil e quando olhou toda essa terra, cheia de florestas, índios, belos rios, pensou:- “Como eu poderia acabar com essas belas terras?” Então ele chamou o resto dos amiguinhos Europeus, malvados e comunistas para construir um império e ajuda-lo a acabar com este paraíso. Mas tinha um problema, ele não iria botar a mão no trabalho pesado. Então ele chamou da Europa os nobres, que com suas mãos tiveram que pagar pela tirania de um homem, e que ainda o elegem como um deus intocável!!
    Desculpe o tom de brincadeira, mas o seu texto me parece no mesmo contexto: equivocado e superficial. Em alguns aspectos eu até poderia concordar, mas você se coloca de maneira duvidosa que o descaracteriza na construção de um texto crítico.
    Só para elucidar uma de suas comparações, seria melhor comparar a casa da cascata de Frank Lloyd Wright, que tem como tipo “casa”, com a casa das canoas de Oscar Niemeyer, que na minha opinião seria uma obra prima, veremos o simples desenho dela, em que a natureza se mostra com uma beleza de contemplação, alem de entrar na edificação, com uma solução de sombreamento que naquela região se mostra suficiente para um bom conforto térmico, além da promenade architecturale ser incrível, o uso dos materiais em momento algum se mostra ostensivo e de difícil execução. Já a casa da cascata se fosse analisar, poderia chegar à conclusão de ela é uma obra incrível também, porém sofre problemas de infiltração, alem de ter sofrido mais de dez escoramentos para evitar que ela desabe, todos estes reparos custam dinheiro também, mas Frank Lloyd Wright foi um grande arquiteto, que eu admiro assim como Niemeyer.
    http://www.dailymotion.com/video/xkj4i4_oscar-niemeyer-casa-das-canoas_creation
    Você não soube analisar profundamente quem é Oscar Niemeyer, se você estava revoltado com a beatificação e a visão superficial das pessoas em relação a Oscar Niemeyer, a sua defesa foi falha, pois continuou com argumentos maniqueístas que só me fizeram acreditar mais que não há resolução no seu pensamento, e sim a concretização de um olhar viciado que se assemelha a opinião que você se colocava contrário.

  20. Bem, quero muito ser arquiteta e vejo por esses comentarios que basicamente Oscar Niemeyer foi e sempre vai ser um grande arquiteto!!! Quando entrei na faculdade nao se falava em outro nome… Era Niemeyer pra cá, Niemeyer pra lá, mas enfim acredito que como muitos ja falaram, gosto; cada um tem o seu. E lendo todos esses comentarios acredito que o Ricardo esta certo em muitos pontos, e tanto esta que mudou minha visao limitada de Niemeyer.
    Acredito sim que ele é um grande arquiteto assim como muitos outros e para aqueles que idolatram tanto Niemeyer,, pensem mais um pouquinho, porque se ele fosse tao foda assim (desculpem o termo) era mais facil entao nao existir mais arquitetos no mundo e deixar ele fazer tudo né!!! 😀 ps: boa ricardo 😀

  21. QUE POSSO FALAR DE UM HOMEM, UMA INTELIGENCIA, UMA VERTIGEM, UM AMOR VENCIDO, UMA FÁBULA AINDA NÃO CONTADA, UM CÉU SEM COR, UMA TRADUÇÃO MUSICAL SEM MÚSICA, VENCE A VIDA E AINDA DOA!

  22. Hahahaha é cada um… O cara se formou em 1934, e tirando Brasília, que como capital tem como função monumentalidade, não citou sequer UM trabalho que ele tenha faito com menos de 80 anos…

    Não usava paisagismo… Os melhores trabalhos dele são com Burle Marx. Pesquise a casa das Canoas, ou a Cavanelas…

  23. A obra do Niemeyerr é horrorosa.o Memorial da América Latina é feio do início ao fim, o maior desperdício de espaço. Tudo que ele fez parece idealizado para Marte. Ótima análise de uma das maiores falácias da cultura brasileira.

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