Oh, Monica, não chores por mim

“Ó senhor, como criastes um país assim tão perfeito, tão maravilhoso, tão bonito e tão cheio de recursos naturais? Não será isso injusto com todas as outras nações sobre a terra?” — começa uma piada no Brasil e na Argentina, sobre seu próprio país — “Não, minha pobre criatura, espere para ver o governo que colocarei lá!” Alguns americanos também pensam dessa forma sobre seu país. A Revista Mad, a louca, costuma nos EUA servir de válvula para essas sentimentos dissonantes, do tipo, “rir ou chorar”. Alguém aí se lembra da Monica Lewinsky?

Monicagate, o Watergate do Presidente Clinton

O mundo inteiro assistiu pela televisão o processo de impeachment do Presidente Clinton, em que ele era interrogado a respeito daquela insistente questão: “Sr. Presidente, o Sr. fez ou não fez sexo com a Srta. Monica Lewinsky?” Durante o interrogatório o ensaboadíssimo mas acuado Bill Clinton soltou uma frase que deveria entrar para os anais históricos dos debates políticios. Em resposta a uma pergunta difícil (do tipo “é ou não é?”) Clinton respondeu “it depends upon what the meaning of the word ‘is’ is.” (“depende de qual o signficado da palavra ‘é’ é”.) Antológico — veja o trecho abaixo.

Mas por mais engraçado que seja, ou triste para quem se preocupa com a qualidade daqueles que governam o mundo (e isso inclui aqueles que governam o Brasil, não se escondam!), a declaração de Bill acima não foi obra da Revista Mad. Usando o fato de que o condutor do processo foi o promotor Kenneth Starr (assim, com dois erres mesmo), cartunistas da Mad fizeram uma paródia do poster de “Star Wars” (com dois erres, claro). Veja abaixo, será que aquela no cantinho é a Hillary?

O texto sob o vestido azul incriminante conta o início da saga: “…o Promotor Especial conseguiu obter testemunhos lúridos de Mônica Lewinsky sobre o lado negro do Comandante-Geral, e sobre o CHARUTO DA MORTE, um apetrecho sexual bizarro com poder suficiente para destruir toda a Presidência…”

Na vida real, tudo começou há quase exatamente dez anos atrás, quando, num sábado a noite, 17 de Janeiro de 1998, um site da internet de um certo Matt Drudge revelou que a revista Newsweek tinha desistido de publicar uma história sobre um relacionamento sexual entre o presidente e uma estagiária da Casa Branca. No dia seguinte o nome dela apareceu: Monica Lewinsky. Daí para frente as notícias se espalharam, e durante todo o ano um processo se desenvolveu que quase derrubou o presidente. Ao longo do processo vários outras histórias sórdidas envolvendo mulheres e o presidente apareceram.

E apesar de tudo Clinton, o garanhão, deixou saudades. Isso comprovou a Banda de Ipanema no carnaval de 2003, com o bordão: “Bush: Vê se arruma uma estagiária”. Sim, e pare de fazer com o Iraque o que deveria estar fazendo com ela. O que me faz lembrar: rir do Presidente Clinton é aperitivo, o prato principal é rir do Presidente Bush.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s