Conheça o Aptera, carro elétrico futurista

Notícias do Aptera correm a Internet a algum tempo. O site da empresa já estava no ar, com fotos e com o conceito. Havia os que especulavam que este estranho carro elétrico de três rodas era ficção, fumaça, fadado permanecer um mito. Porém agora, nos últimos dias de 2007, um repórter da revista Popular Mechanics conseguiu um furo de reportagem: um test drive com o misterioso Typ-1 e uma entrevista com seu criador, em um vídeo inédito. São dados vários detalhes interessantes sobre essa máquina em tantas dimensões revolucionária: o desenho, a tecnologia embarcada, a aerodinâmica, o uso e conversão de energia. Seu fabricante já aceita encomendas.

Aptera, isso é mesmo um carro?

A primeira coisa que chama a atenção no Aptera é seu desenho estranho. Será que esse veículo que parece ter saído diretamente do desenho dos Jetsons pode realmente ser chamado de carro? Ele tem a aparência de um avião sem asas, a configuração de um triciclo invertido: duas rodas na frente, uma atrás.

Abaixo mais algumas imagens da criatura. Primeiro uma vista lateral.

Cabine de passageiros.

Visão traseira com portas fechadas, traseira com portas abertas.

Onde você foi? Só fazer umas compras.

Vídeo do Aptera, detalhes do projeto

A concepção inicial do Aptera era ser um carro totalmente elétrico — e essa ainda é a sua versão base. Foi construída também uma versão híbrida, em que um pequeno motor a combustão e tanque de combustível serve de gerador, no lugar das baterias, para o mesmo carro elétrico. Com isso ele consegue rodar incríveis 130 km por litro de combustível. O modelo possui velocidade máxima de 140 km/h e, na versão elétrica, autonomia de 190 km entre recargas. Clique abaixo para ver o vídeo onde são discutidos inúmeros detalhes do projetoVídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

O desenho Aptera Typ-1 foi feito para ter um arrasto aerodinâmico mínimo. O coeficiente de arrasto aerodinâmico do carro é 0,11. Segundo a empresa, esticar sua mão espalmada para fora de um carro em movimento cria mais arrasto aerodinâmico do que o Typ-1 inteiro. No vídeo ele mostra como o limpador de parabrisa se retrai e se esconde sob o vidro para diminuir o arrasto, e como no lugar de retrovisores há micro-câmeras embutidas na carroceria para gerar imagens em monitores de bordo.

Na verdade na cabine o motorista não tem um painel comum de instrumentos, mas quatro monitores. Três deles trazem imagens das três câmeras retrovisoras além de informações básicas como velocidade, autonomia, carga da bateria. E um monitor central com tela sensível ao toque serve de controle para o sistema de entretenimento e de navegação GPS do carro. Coerente com a filosofia de ser um carro amigável ao ambiente todo o material utilizado internamente é reciclado ou reciclável, do estofo dos bancos ao material dos pedais.

Atrás do automóvel, que carrega dois passageiros, há um porta-malas de 450 litros que se abre como uma concha. Na traseira também há exaustão de ar que serve para manter o interior do carro fresco. O teto do carro possui células solares que alimentam um sistema de ar condicionado enquanto o carro está estacionado no sol quente. Essas células no teto também são capazes de complementar a carga da bateria principal do Aptera Typ-1.

Dirigir o Aptera, segundo o repórter da revista, foi uma experiência divertida. Entrar no carro é como entrar em um veículo exótico: se entra primeiro com as costas e depois com as pernas. O espaço interno é amplo e a posição de dirigir, relativamente reclinada para trás, é comfortável, graças à inclinação do volante. A tração, totalmente elétrica, é traseira, através de uma só roda. Ao se acelerar de 0 a 80 km/h o torque é constante, ininterrupto por marchas, como é comum a outros veículos elétricos. A aceleração é forte, e o carro tem um pequeno efeito de se curvar para trás, bem sutil, como de uma moto de competição, que dá uma sensação gostosa de que a aceleração é ainda mais forte do que realmente é. Durante o test drive feito algumas curvas fechadas foram feitas, em velocidades acima das permitidas naquela zona, e ainda assim o veículo de três rodas ficou firme, bem plantado no chão, estável.

Ainda segundo o repórter a grande área envidraçada, o grande parabrisa frontal, fazem com que você possa ver tudo e todos que estão lá fora. E, na experiência de dirigir o Typ-1, o que você vê lá fora é todo mundo olhando de volta para você. Nenhum carro, nada que eles jamais dirigiram atraiu tanta atenção quanto o Aptera Typ-1. Na estrada os carros se emparelhavam e abriam a janela para espiar. Quando estacionado, pequenas multidões se formavam em volta. Todos queriam saber mais sobre o pequeno modelo futurístico. É uma experiência divertida.

Chances reais de sucesso comercial

A companhia Aptera, conforme disse, começa produzindo o Typ-1 totalmente elétrico, como os acima, ao preço de US$ 27.000,00. Em seguida será fabricado o Typ-1 h, versão híbrida (gasolina/eletricidade) do mesmo veículo, ao custo de US$ 30.000,00. Segundo a empresa o empreendimento será lucrativo se conseguir vender 300 unidades por ano. Hoje ela já tem 580 pedidos para os Typ-1 e Typ-1 h. A produção começará com 30 unidades do Typ-1 no ano de 2008, embora a empresa esteja se preparando para construir até 2,000 unidades por ano.

Destaquei a enorme ousadia tecnológica e a originalidade do projeto deste veículo, entretanto duvido que ele se torne um grande sucesso comercial (ao contrário de outro candidato a carro do futuro, o Tesla Roadster, que creio ter chances nada desprezíveis). Certamente ele venderá um certo número de unidades entre entusiastas da tecnologia e da ecologia, e chamará uma atenção incrível para seus donos por onde passar. Mas provavelmente não conseguirá ser uma alternativa realista para os produtos de uma montadora convencioal.

Duas dificuldades no caminho do Aptera são sua Segurança (real ou percebida) e seu Posicionamento de Mercado. A Segurança é a questão oposta dos gigantes SUVs (véiculos sport-utility), no mercado americano. Dizem que os motoristas compram esses monstros de aço para se sentirem seguros em um veículo alto e pesado. O Aptera Typ-1 é um veículo baixo e leve. E de três rodas. E sem air-bag ou ABS. E sem para-choques. Talvez não seja menos seguro do que uma moto, mas ainda assim não é um veículo para qualquer um. Ao contrário do Tesla Roadster, que usou praticamente tudo de um carro convencional exceto motor e trem de transmissão, aqui tudo precisa ser provado em termos de segurança.

E o posicionamento de mercado sendo desenvolvido, entendo, é de um produto de nicho para malucos por inovações tecnológicas e para fanáticos por conservação ambiental. Creio que esse é um nicho menos disposto a pagar por inovações do que aquele em que o Tesla Roadster, por exemplo, está mirando: milionários querendo carros de status, com excelente aparência e desempenho de carro de corrida. Mas posso estar enganado. Afinal quantos nerds milionários empresas como Google, Yahoo, Microsoft, etc. criaram na costa oeste dos EUA?


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Reportagem da Popular Mechanics Aptera, inglês

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3 respostas em “Conheça o Aptera, carro elétrico futurista

  1. Gostei do veículo , e gostaria de saber da possibilidade de importá-lo. Qual o preço dele aqui no Brasil. Obrigado

  2. Caso seja posivel gostaria de efetuar uma reserva de compra do Aptera. Aguardo confirmaçao. Obrigado.

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