Historicamente a atratividade de um produto ou serviço é função de características intrínsecas ao mesmo. Por exemplo, quanto vale um cavalo ? Olhe os dentes, julgue a idade, veja se está bem alimentado, os pêlos brilhantes, pergunte sobre sua ascendência equestre — se for um cavalo de corrida pegue seus resultados nos últimos campeonatos. O valor do cavalo está associado ao que ele é, intrinsicamente. Da mesma forma, quanto vale uma jóia de ouro ? Você como joalheiro verifica qual a pureza do ouro, ou quantos quilates, qual o peso da peça, se tem alguma pedra valiosa incrustada, e ainda pode avaliar a qualidade do artesanato, desenho e execução, que a molda. Tudo está ali, embutido na jóia, intrínseco a ela. O conceito de externalidade de rede contrasta com essa intuição antiga de onde reside o valor, e é essencial para entender o mundo moderno, especialmente o que gira em torno da internet. Um objeto possui externalidade de rede quando seu valor é fortemente relacionado a aspectos externos a ele, mais especificamente ao tamanho do conjunto (ou rede) de objetos, idênticos ou complementares, que se relaciona com ele. Um dos exemplos mais simples de explicar é o da máquina de fax.
Arquivos Mensais:novembro 2007
Cinco vídeos do carro elétrico
Encontrei uma entrevista interessante com J.B. Straubel, Executivo Chefe de Tecnologia da Tesla Motors. A Tesla, como discutido, está trazendo ao mercado talvez a maior novidade dos últimos anos em termos de mercado automobilístico. Na entrevista ouvimos de Straubel que toda a produção de 2008, 350 unidades do carro, já foi vendida e que o preço, quase US$ 100 mil, apesar de salgado, está dentro da faixa para carros deste desempenho. Segundo ele não se consegue um carro mais barato que possa competir com o Tesla Roadster. Um dos repórteres em seguida assume o volante de um Tesla Roadster e sai para dar uma volta. É muito interessante ouvir o ruído que o carro faz (quase nenhum) e a cara do motorista dirigindo, como uma criança com um brinquedo novo no natal.
O Papa e o Sultão
Estudei alemão na época da faculdade. Uma das professoras era uma senhora alemã velhinha, frágil, simpática. Um dia ela trouxe uma canção impressa em folhas de papel A4 para que a classe aprendesse a cantar: Papst und Sultan. Ela não costumava fazer isso — aliás, acho que foi a única música que trouxe. Não sei se por intenção dela mas aquela música se fixou em minha memória de tal forma que hoje, uns quinze anos mais tarde, ainda acho fácil lembrar. A tal cantiga, de apenas 6 estrofes, ressoa com sabedoria. Típica do folclore alemão, ela foi escrita por volta do ano de 1800 e brinca com a seguinte pergunta: você queria ser o Papa ou o Sultão ? A tradição é de dois séculos, mas ver a tradução leva dois minutos.