Carta Aberta ao Kansas School Board

Neste momento em que uma revista semanal de grande circulação discutiu educação religiosa no ensino secundário no Brasil, levantando um pouco a poeira em torno da velha questão do choque escolar entre ciência e religião, mais especificamente entre criacionismo e evolução (ou evolucionismo, como querem os criacionistas), traduzi a seguinte “Open Letter to Kansas School Board“. Ela foi escrita por um jovem americano e enviada ao Kansas School Board, algo como a Secretaria Estadual de Ensino do Estado do Kansas, que estava tornando obrigatório ensinar a “teoria da criação” naquele ilustrado estado do meio oeste. Tanto quanto eu saiba esta é a primeira tradução para o português.

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Deve ser brincadeira, Sr. Feynman!

Uma coisa eu me lembro de minhas escolas: eu sempre gostei de estudar o que me atrai, o que gosto, o que me interessa– não necessariamente o que me ensinavam. Tive minhas boas notas, quando precisei, mas não fui nisso tão consistente. Recordo que sempre houve aqueles com obsessão por notas, seja por vaidade seja pela iminência de uma reprovação. Nos alunos disciplinados e capazes essa obsessão se traduzia no que chamávamos de “bitolação” — martela, martela até entrar tudo na cabeça — e nos alunos de menor integridade ou capacidade a obsessão se chamava “cola”. O que teria um físico ganhador do Prêmio Nobel a dizer sobre essa obsessão dissonante da curiosidade e interesse científico ?

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